sábado, 7 de abril de 2012


Sentimento de Hoje.



O acordar começa com estou aqui, é agora.
Meu coração está partido, me sinto afogando, afundando, não consigo respirar... Tenho plena consciência deste agora, de onde estou, de como devo me portar, mas não consigo me mover. Não consigo visualizar meu futuro. Todos os dias é uma rotina de obscuridade.
Às vezes acho que sou louca porque vejo as coisas tão diferentes das outras pessoas.
Algumas vezes na vida tive momentos de absoluta clareza. Nesses momentos por alguns breves segundos o silêncio abafou o barulho. E eu posso sentir. Em vez de pensar. E as coisas parecem tão claras. E o mundo parece tão revigorante. É como se surgisse uma nova ordem. Não posso fazer com que tais momentos perdurem. Eu me agarro a eles, mas como tudo, eles se dissipam. Eu vivo esses momentos e, eles me trazem de volta. E eu me dou conta de que tudo está exatamente como deveria estar.
Caríssimos visitantes. Retorno com um belíssimo texto, que hoje me veste como uma luva.



Para o caso de não sermos eternos.


“Não desejo ser plantada em terreno vindouro como uma semente de perenidade, especial e necessária. Somos finitos enquanto corpos frágeis, envelhecendo no esvair dos grãos de areia que escorrem pelo funil da ampulheta universal.
E quando eu me for, quero ser lembrada pelas palavras deitadas que escrevi com a mão esquerda. As primeiras frases de todos os textos jamais foram refeitas, e dos rabiscos de olhos e bocas desenhados nas carteiras das salas de aula que frequentei, lembre se de que eram todos iguais. Rostos sem cabeça, porque eu nunca entendi a simetria das orelhas.
Não desfrutei das horas preguiçosas como deveria, quando as tive todos os dias em abundância e sem o menor sentimento de culpa por não fazer nada enquanto o resto do mundo trabalhava. Mas quando a consciência de que eu deveria fazer algo de útil comigo mesma chegou, veio também o insaciável desejo de querer mais. Hoje, garimpo segundos de preguiça em todos os lugares, torcendo as horas como toalhas molhadas na esperança de um respingo de tempo ocioso.
Lembre-se de mim como um tímido sopro de brisa fria a roçar as bochechas em um final de tarde iluminado pelos raios de sol que, de tão teimosos que são, conseguem transpor a barreira das nuvens outonais para iluminar o crepúsculo de um dia acinzentado. Não sou arrebatadora como as rajadas de vento que levantam as saias e bagunçam nossos cabelos, mas apenas um acarinhar despretensioso que eriça os pelos da nuca e ensaia um arrepio que não acontece nunca.
Iremos todos embora, fatalmente. A olhos vistos, com plateia, na escuridão taciturna, com muita pompa e circunstância, ou simplesmente nada. Não seremos mais do que lembranças propagadas em rodas de conversa fiada, nas fotos dos álbuns eletrônicos,
nos porquês de uma morte prematura, no lamento do cachorro que envelheceu uma vida em alguns dias, depois que perdeu o dono.
Quem nos perde sempre acha que vai ouvir nossa voz novamente, ecoando pelo corredor da casa para aquecer as paredes descascadas e mortas. Não se desfaça da poltrona de estofamento colorido que eu ainda vou comprar, mesmo que as cores não combinem com mais nada. Tantas vezes me encolherei calada, segurando as pernas com os braços firmes enquanto o resto do corpo se acomoda satisfeito.
Você não vai notar minha ausência tanto assim. Não vai correr o risco de se deparar com uma roupa esquecida no banheiro ou com chinelos jogados sob a cama. Quanto aos fios de cabelo, esses ficarão aqui e ali, espalhados pelos lençóis usados e nas presilhas esquecidas nos compartimentos do seu carro. Tente se lembrar de trocar as fronhas dos travesseiros sempre que o suor de uma noite mal dormida encharcá-las de pesar.
Pelas ruas meu rosto estará em muitos anônimos e você se confundirá com o que antes parecia ser impossível. Enquanto dirige, tentando seguir com os olhos todas as ilusões de que ainda estou por aqui, não se esqueça de ligar o rádio, não se esqueça de cantar pra mim. Cante para mim todos os sucessos dos anos oitenta, mesmo que naquela época não passássemos de criaturas procumbentes vivenciando a primeira vez de quase tudo.
Não pedirei que se lembre dos shows de rock, porque não compartilhamos música como deveríamos. Canto por que estou feliz, estou feliz porque canto. Não sei se a ordem da sentença altera o sentimento nesse caso, mas é o que você costuma dizer antes de se calar para me ouvir cantar. Orgulho-me das letras que sei de cor. Mas você jamais decorará um único verso corretamente, pelo simples fato de que prefere inventar as palavras para rir de sim mesmo.
Não sei rir de mim mesma, e tenho certeza de que você irá se lembrar disso. De como eu me irritava com suas críticas insistentes, de como você adorava dizer que eu tenho a cabeça grande e as pernas transparentes. Da minha vergonha em usar minissaia, do coturno preto que você detestava, mas não tinha coragem de assumir que me achava
ridícula com ele.
Ainda não plantei uma árvore, mas rego diariamente a violeta comprada no restolho de domingo do mercado do Centro. Guarde os finais dos livros que escrevi em pensamento como se pudesse compreendê-los apenas porque me conheceu melhor do que ninguém mais. Guarde a semente da árvore que não plantei, como o filho que não tivemos, como o mundo em nossa casa, a eternidade disfarçada de sorrisos lerdos ao cair da tarde enquanto nos desmanchávamos em palavras doces a respeito do futuro que queríamos ter.
Guarde um pouco de mim em tudo o que há você".

(Lorena Macedo).

Tenham todos uma ótima noite.

Juciene Rodrigues.

domingo, 29 de maio de 2011


Olha amigos! Estou retornando acompanhada de Drummond, o INFINITO é pouco pra quem ama , e ETERNO pra quem sofre de amor.



Reverência ao destino.

“Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.”

Carlos Drummond de Andrade.

Abraço a todos visitantes.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sublime Amor.


Não consigo esquecer... nos olhamos no fundo dos olhos por três segundos, foram instantes mágicos ao mesmo tempo de descoberta e de perda. Eu me lembro exatamente da sua expressão afogueada, e também de sentir a presença de algo belíssimo e inapreensível, maravilhosamente impossível de ser atingido inteiramente. Instante em que a felicidade e o medo estão presentes no mesmo momento; onde o impossível parece possível, onde o impalpável fica compreensível.

Visitantes amigos, a todos um grande beijo
Juciene Rodrigues.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Quero ser....( seu ANJO)....deixa!???!



"Acredita em anjo
Pois é, sou o seu
Soube que anda triste
Que sente falta de alguém
Que não quer amar ninguém.

Por isso estou aqui
Vim cuidar de você
Te proteger, te fazer sorrir
Te entender, te ouvir
E quando tiver cansada
Cantar pra você dormir.

Te colocar sobre as minhas asas
Te apresentar as estrelas do meu céu
Passar em Saturno e roubar o seu mais lindo anel.

Vou secar qualquer lágrima
Que ousar cair
Vou desviar todo mal do seu pensamento
Vou estar contigo a todo momento
Sem que você me veja
Vou fazer tudo que você deseja.

Mas, de repente você me beija
O coração dispara
E a consciência sente dor
E eu descubro que além de anjo
Eu posso ser seu amor.

Vou secar qualquer lágrima
Que ousar cair
Vou desviar todo mal do seu pensamento
Estar contigo a todo momento
Sem que você me veja
Farei tudo, tudo, tudo que deseja.

Mas, de repente você me beija
O coração dispara
E a consciência sente dor
E eu descubro que além de anjo
Eu posso ser seu amor."

Composição: Leonardo Reis e Saulo Fernandes.

Juciene Leonisia Rodrigues.

domingo, 7 de março de 2010

Revelação.



Você é metade de um todo.
Quero ficar em silêncio ao teu lado. Só acompanhando o ritmo da tua respiração e brincando de decifrar teu tímido olhar, que teima em recuar quando o meu encontra.
Foi assim que você surgiu em minha vida, como um click. Uma explosão intensa do mais puro e extremo sentimento. Sua voz, com as risadas doces e melódicas, é música de sereia. Você é o que de mais sincero e verdadeiro existe em mim.
Por acaso você sabe o quê significa isso?
Só de imaginar que você pode estar também pensando em mim, meu dia muda por completo, o ar fica mais limpo, o sol brilha mais forte e a felicidade parece mais próxima.
É o sádico e o masoquista uno.
A rotina que arrasta os dias,
afoga um sentimento melancólico,
como o vento que balança uma,
única folha, remanescente no último
galho da árvore, sobrevivente ao
fogaréu de sonsas desculpas.
É sombra do passado incompleto,
de um futuro incerto.

É vontade de vivenciar um doce
aconchego, em um simples olhar
silencioso, acalentador, de
uma alma encantada.

O calor de um colo no final
de um dia,
esconde a simplicidade
do desejo oculto.

Não quero o cortejo de um rei
mas a alegria do plebeu...
cuja capacidade de alcance vai
além do silencio da alma.

Juciene Leonisia Rodrigues.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Amor...



O amor está presente,
na densa respiração,
de dois seres apaixonados.

Na cumplicidade de
um entreolhar de
respostas sem palavras.

No evaporar da
temperatura escaldante
de dois corpos em ebulição.

O verdadeiro e raro
amor...
não se explica
se sente...

Eitá, sentimento gostoso!! Que venha 2010.