
Olá visitantes!
Muitos amigos me questionam o por que de tamanha “veneração” por Ana Carolina, dizendo ser ela somente mais uma cantora boa da MPB.
Vou explicar aqui para que todos possam entender que essa dita “veneração”, é a mais pura e simples “admiração”. Sou uma apaixonada por poesia, e o que Ana compõe e a poesia em sua essência.
Ana é uma artista completa e transparente, sua sinceridade lhe dá o devido respeito que ela merece. E como não admirar, uma artista que é instrumentista, cantora, compositora e poeta?! Na vida nós temos que absorver e buscar o que é bom. E Ana Carolina não é somente boa naquilo que faz, ela é excelente!
Em suas composições, e em algumas canções por ela gravada, fica claro sua personalidade. Vou destacar alguns exemplos:
Sua transparência: composição de Antônio Villeroy, feita para ela, “2 Bicudos”.
Quando eu te vi andava tão desprevinido
Que nem ouvi tocar o alarme de perigo
E você foi me conquistando devagar
Quando notei já não tinha como recuar
E foi assim que nos juntamos, destraídos
Que no começo tudo é muito divertido
Mas sempre tinha um amigo pra falar
Que o nosso amor nunca foi feito pra durar
Por mais que eu durmo eu não descanso
Por mais que corro eu não te alcanço
Mas não tem jeito, eu não sei como esperar
Desesperar também não vou, não vou deixar você passar
Como água escorrendo nos dedos
Fluindo pra outro lugar.
Ninguém pode negar que o nosso amor é tudo
Tudo que pode acontecer com dois bicudos
Não são tão poucas as arestas pra aparar
Mas é que o meu desejo não deseja se calar
Até os erros já parecem ter sentido
Não sei se eu traí primeiro, ou fui traído
Não te pedi uma conduta exemplar
Mas é que a sua ausência é o que me dói no calcanhar
Por mais que eu durma, eu não descanso
Por mais que corra, eu não te alcanço
Mas não tem jeito, eu não sei como esperar
Desesperar também não vou, não vou deixar você passar
Como água escorrendo nos dedos
Fluindo pra outro lugar.
Será sempre será
O nosso amor não morrerá
Depois que eu perdi o meu medo
Não vou mais te deixar.
Sua essência: “O Rio”.
Eu vou atravessar o rio a deslizar
Que me separa de você
O tempo atravessa em meu lugar
E deixo pra depois o que eu tinha que fazer
O destino aceito sem dizer sim ou dizer não
Sem entender
E fica a sensação de saber exatamente porque menti
Eu sei de onde vim e pra onde irei ie, ie, ie, ie, ie
Mas com você eu fico sem saber onde estou
Nós dois que sequer nos parecemos
E não cabemos num mesmo espelho
Mas nos olhamos toda manhã
A ferrugem mesmo pouca
Corrói os trilhos
As ruas nos atravessam
Sem olhar pro lado
Estou em você
E fica a sensação de saber exatamente porque menti
Eu sei de onde vim e pra onde irei ie, ie, ie, ie, ie
Mas com você eu fico sem saber onde estou
Eu vou atravessar o rio a deslizar
Que me separa de você
O tempo atravessa em meu lugar
E fica a sensação de saber exatamente porque menti
Eu sei de onde vim e pra onde irei ie, ie, ie, ie, ie
Mas com você eu fico sem saber onde estou
Eu vou atravessar o rio a deslizar
Que me separa de você
E em minha opinião, uma descrição despida. A obra prima, até aqui: “Era”.
O destino me pregando uma outra peça eu não queria
Me cercava toda noite com sua flecha e sua guia
Era o tempo me encostando sua pele traiçoeira
Eram noites tão pesadas, com nuvens sorrateiras
Era a vida me cortando a carne com seu guizo
Ecoando pelos séculos os sons de alguns gemidos
Eram meus antepassados dentro dos bacanais
Era o tempo me emprestando aquilo que eu não devolveria mais
Era um homem nos meus sonhos me currando sem perdão
Eram duas velhas mortas se arrastando pelo chão
Eu soltava o meus cães em meu peito a soluçar
Abafava os gritos, pois não sabia ladrar
Achei que não era eu que fazia minha estória andar
Punha a culpa no destino ou em quem estivesse à mão para culpar
Êêêê,ê...
Hoje em dia não me importo com o que fiz do meu passado
Quero amigos, sorte e muita gente boa do meu lado.
E não rebato se disserem por aí que eu tô errada
porque quem se debate está sozinho ou afogado
Eu, que não fico no meio, não começo e nem acaba
Eu sou filha do amor, não de Deus nem do Diaba
Na Ciranda das canções eu me ponho a revezar
Rodando entre as ondas que me puxam em altomar
Hoje sei bem que sou que gira a minha vida circular
Essa roda, eu que invento e faço tudo nela se encaixar
Eu sou assim
Êêêê, ê...
T. S. Eliot dizia que “os poetas apenas falam quando não podem cantar”. E James Thonson ressaltava, “os lábios apenas cantam quando não podem beijar”. Ana não só fala, ela canta e encanta.
Admiro sim, e por isso sou uma grande estudiosa de suas composições. Admiro também a pessoa de Ana Carolina, porque são poucos os artistas que conseguem poeticamente a descrição tão sensível e forte de si mesmo. Ela gosta do que faz, e com isso atrai aqueles que sabem reconhecer sua espontaneidade.
Para provar isso, ela mesma confessou ser de Chico Buarque, sua música preferida. “Choro Bandido”.
Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim
Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons.
Acho que com está não preciso dizer mais nada.
Abraço à todos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário